A Importância da Leitura na Educação Infantil

Todos já devem ter tido a oportunidade de ouvir diversos relatos sobre a importância da leitura, principalmente nos primeiros anos de vida da criança, onde deveriam ser construídos hábitos saudáveis para serem levados pelo resto da vida. Contudo, aqui no Brasil, infelizmente, por inúmeras questões, incluindo as de ordem política, nunca ouve a cultura da leitura. Ler infelizmente (mais uma vez) não faz parte da cultura do povo brasileiro, e por isso, vivemos num país com tanta cegueira intelectual. Assim como nosso corpo reflete aquilo que comemos, nossa postura também reflete aquilo que lemos, pois leitura também é alimento.

Pois bem, de acordo com Bamberger, o desenvolvimento do interesse e dos hábitos permanentes de leitura constitui um processo constante, que tem seu início no lar (ou pelo menos deveria ter) e que sistematicamente continua na Instituição de Ensino e se estende pela vida afora.

Hoje, graças a inúmeras pesquisas e estudos já realizados, sabemos que a literatura infantil propicia a criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo incontestáveis. Segundo Abramovich (1997), quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara os sentimentos que têm com relação ao mundo em que vivem. As histórias trabalham/abordam problemas existentes típicos do período da infância, como por exemplo, o medo, a chegada de um novo irmãozinho, a perda dos avós e outros entes queridos, a necessidade do consumo de frutas e verduras, o processo de retirada de fraldas e até mesmo respondem a alguns dos questionamentos ligados aos incontáveis “por quês”. Através de uma história é possível descobrir novos lugares, outros tempos, outras maneiras de agir e de ser, de enxergar o mundo e de se sentir como parte importante dele. Quanto mais a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura é capaz de proporcionar, mais possibilidades ela terá de se tornar um adulto leitor. Da mesma forma, através da leitura a criança se apropria de uma postura crítica reflexiva que é extremamente relevante à sua formação cognitiva. Se pensarmos que uma criança com postura reflexiva hoje será igual a um adulto com postura reflexiva lá no futuro, aí será mais fácil de entender o porquê da leitura não ser devidamente valorizada em nosso país.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria é capaz de selecionar, dentro dos trechos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a sua necessidade, que consegue utilizar estratégias de leituras adequadas para abordá-los de forma a atender a essa necessidade. Dessa forma, o grande desafio que precisamos driblar é o de formar/ tornar nossas crianças bons leitores desde a primeira infância, de presentearmos nossos filhos, sobrinhos e netos com bons livros, pois livro também é diversão. Precisamos desenvolver a capacidade de ler, o gosto e o compromisso com a leitura, para que, lá na frente, os filhos de nossos filhos possam de fato fazer uso de sua vez e de sua voz.  É necessário que as Instituições de Ensino sejam capazes de mobilizar internamente as crianças (e também suas famílias), pois aprender a ler e a gostar de ler requer esforço, e ainda vou além, para colocar o livro à disposição da criança, do adulto/da família que precisa ler é necessário condição financeira favorável, pois alimentar a mente e o espírito custa muito caro.

É necessário que a leitura possa ser vista como algo interessante e desafiador, algo que, uma vez conquistado possa gerar autonomia, independência e uma mudança de postura de vida frente à sociedade.

Sabemos que ler proporciona capacidades e habilidades de incluir, recriar, expandir, ensinar, transformar, construir, refazer, aprender, descobrir, que ler educa e promove cidadania. Eu poderia citar aqui tantas outras inúmeras funções e importâncias da leitura na vida de uma criança (e de qualquer pessoa), mas meu intuito é lançar mesmo uma reflexão.

E para concluir esse assunto tão importante e que ainda precisa ser discutido outras vezes, faço de minhas as perguntas de José Saramago:

E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que a tanto tempo têm andado a ensinar?

Se um país de fato se faz com homens e com livros, precisamos urgentemente exigir os nossos, pois, só somos capazes de dar aquilo que um dia recebemos.

março 16th, 2016 Por

Deixe seu comentário