Categoria: Brincar, Brinquedos & Brincadeiras

abril 8th, 2016 Por Arca de Noé

Brincar, brinquedos e brincadeiras… Isso tem jeito de criança, cara de criança e gosto de infância,  e sem dúvida nenhuma marca uma das etapas mais lindas na vida de toda pessoa – A infância! Apesar de serem palavras bem parecidas e de caminharem lado a lado, cada uma delas possui um significado, e para entrarmos de vez nesse universo tão próprio da criança, nada melhor do que entendermos bem esses conceitos, não é verdade? Então vamos lá!

“Brincar” é uma palavra de origem latina e que vem de vinculum,  que quer dizer laço, algema, e é derivada do verbo vincire, que significa prender, seduzir e  encantar (justamente o que acontece com a criança ao colocar em prática essa ação). Já a palavra “brinquedo” foi registrada lá no século XIX, e deriva de brinco. O sufixo edo” está relacionado com a madeira, matéria prima utilizada para confecção dos primeiros brinquedos. De acordo com a autora KISHIMOTO (1994), o brinquedo é representado como um “objeto de suporte da brincadeira”, ou seja, brinquedo aqui estará concebido por objetos como bonecas, carrinhos, bolas, etc. Os brinquedos por sua vez podem ser classificados como estruturados e não estruturados. Chamamos de brinquedos estruturados aqueles que já são adquiridos prontos, e de não estruturados aqueles não são provenientes de indústrias, assim são simples objetos que, nas mãos das crianças, adquirem novo significado, podendo transformar-se em um brinquedo.  Já a “brincadeira” é o ato ou efeito de brincar, e está relacionada intimamente à diversão, entrosamento, trocas contínuas e muito crescimento. Dentre esses três elementos, a brincadeira se distingue por sua estruturação e pela utilização de regras, o que é essencial no período da infância, e é uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto individual. Na brincadeira a existência das regras não limita a ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros, adotar as próprias regras, por fim, existe maior liberdade de ação para o sujeito que brinca, ou seja, a criança.

Mas quem é essa criança afinal de contas? Bem, de acordo com a concepção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI, 2010, p. 14, a criança é um sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.

Para Vygotsky (1998), o brinquedo tem intrínseca relação com o desenvolvimento infantil, especialmente na idade pré-escolar.  É por meio do brinquedo que a criança se apropria do mundo real, domina conhecimentos, se relaciona e se integra culturalmente. Ao brincar e criar uma situação imaginária, a criança pode assumir diferentes papéis. É no brinquedo que a criança consegue ir além do seu comportamento habitual, atuando num nível superior ao que ela realmente se encontra. No entender de Vygotsky, é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva que depende de motivações internas. Já para Piaget (1989), a maneira da criança assimilar (transformar o meio para que este se adapte às suas necessidades) e de acomodar (mudar a si mesmo para adaptar-se ao meio) deverá ser sempre através do lúdico, que é uma palavra que tem origem no latim ludos que remete para jogos e divertimento.

Assim, o  brincar, os brinquedos e as brincadeiras constituem elementos  próprios do período da infância, traduzem a sua maneira de  estar diante do mundo social e físico e de interagir com ele, a porta pela qual entra o contato com outras pessoas, o instrumento para a construção coletiva do conhecimento. Podemos observar então, a necessidade de possibilitar o acesso a esses elementos para que a criança possa  construir conhecimentos, expressar emoções e  entender o mundo que as cerca.

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